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Nova aplicação da termografia alia a arte à prevenção de lesões

admin |13 fev, 2014

Nova aplicação da termografia alia a arte à prevenção de lesões | InfraRedMed

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O que une numa experiência uma violinista, um DJ e cientistas? A nova aplicação da técnica de termografia na detecção e prevenção de lesões musculares em músicos, desenvolvida na Universidade do Porto.
Uma experiência científica proposta por investigadores da Universidade do Porto transformou uma violinista num caleidoscópio humano. No salão nobre da Reitoria, diversas cores, tons e formas tatuaram o corpo de Ianina Khmelik. A sua face, pescoço e peito pareciam arder, coloridos de vermelho sempre que a intensidade do seu esforço físico aumentava na execução de uma peça inspirada em Bach. Os investigadores experimentavam uma nova aplicação da termografia, uma tecnologia para o diagnóstico de lesões que apresenta várias vantagens – não utiliza radiações ionizantes, é indolor, não invasiva e não obriga a um contacto direto com o paciente. O concerto Anatomia Musical: do visível ao invisível serviu assim para desvendar o lado escondido da anatomia térmica de uma artista em plena performance.
A câmara termográfica capta a radiação infravermelha emitida por um corpo ou objeto e converte-a numa imagem codificada de cores correspondentes a diferentes temperaturas: cores frias, como o verde, o azul e violeta, significam baixas temperaturas, enquanto cores quentes, como o amarelo, o vermelho e o laranja, equivalem a altas temperaturas. O projeto de quatro investigadores da Universidade do Porto pretende fazer da termografia um meio de diagnóstico auxiliar que contribua para uma melhor avaliação clínica de lesões provocadas por posturas incorretas ou pela execução de movimentos repetitivos, como acontece com os músicos.
De acordo com Joaquim Gabriel, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, a inovação do sistema de termografia desenvolvido pela equipa multidisciplinar que lidera reside na “detecção de lesões musculoesqueléticas existentes e na sinalização de zonas que estão sujeitas a grande esforço”, que revelam temperaturas mais elevadas durante a análise termográfica. A identificação das zonas musculares sujeitas a maior sobrecarga energética, que, no caso dos músicos de orquestra, correspondem aos músculos posturais (músculos do pescoço e costas) e aos músculos da mastigação (da face), “permite a prevenção de lesões”, refere Miguel Pais Clemente, outro dos investigadores do projeto e professor da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade.
“A termografia mostra-nos quais são os músculos que estão a ser mais ativados numa determinada performance, seja de um músico ou de um atleta, se essa ativação está a ser exagerada e se o músico recupera num tempo fisiológico ideal. Nós podemos prevenir [futuras lesões], corrigindo a postura e evitando a solicitação exagerada de determinados músculos”, salienta Catarina Branco, colaboradora do projeto, médica fisiatra e diretora do serviço de Medicina Física e Reabilitação do Hospital de São Sebastião.
Ianina Khmelik, violinista da Orquestra Sinfônica do Porto – Casa da Música, iniciou o concerto com uma composição introspectiva composta em parceria com DJ Yur. Os gestos lentos da violinista acompanhavam a sonoridade etérea produzida por Yur e as cores frias e esbatidas predominavam na imagem projetada no corpo da intérprete, o que permitia inferir uma ativação menor dos músculos envolvidos no desempenho musical. Assim que a música adquiriu maior fulgor, num ritmo sincopado próximo do drum”n”bass, os movimentos de Khmelik tornaram-se mais energéticos e o vermelho começou a “pintar” o seu corpo.
O lado estético
Quando a artista mostrou toda a sua velocidade de execução na interpretação do Prelúdio da Partita n.º 3 de Bach, as suas costas eram já uma bola de fogo. Em tempo real, observamos a mudança dos padrões termográficos no corpo da violinista e assistimos a uma sonata de imagens. Daniela Coimbra, professora de Psicologia da Música na Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo e uma das responsáveis pela investigação, preferia sublinhar a dimensão artística da experiência. “Decidimos que poderíamos mostrar estas imagens como um alerta, mas também como forma de incorporar esta parte tecnológica da música, exibindo o lado estético da tecnologia.”
Para os músicos, a nova aplicação da termografia traz benefícios evidentes, já que esta tecnologia mostra que há zonas de maior calor e, portanto, com maior ativação muscular que, por vezes, não são necessárias para a performance musical.
“A máquina termográfica permite-nos perceber os erros na nossa postura e compreender que não é necessário empregar tanta força num determinado ponto do corpo, o que permite prevenir lesões futuras”, afirma Ianina Khmelik.
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